Saúde e meio ambiente - uma das possíveis relações

2020 foi o ano em que a humanidade se viu frente a frente com a pandemia da Covid-19. O vírus, inicialmente identificado na China, no final de 2019, se espalhou rapidamente e, no começo de 2020, já havia feito vítimas pelo mundo todo. Foi quando a Organização Mundial de Saúde decretou o estado de pandemia e a necessidade imediata de distanciamento social.


Não viemos nesse texto escrever sobre os inúmeros casos de Covid-19 e as mortes ocorridas em consequência disso. Nem tampouco do descaso de autoridades de alguns países (inclusive o nosso) em relação a essa pandemia e todos os problemas econômicos, sociais e emocionais advindos do isolamento ao qual ainda estamos submetidos.


O intuito é refletir sobre a ocorrência de novos vírus que estão afligindo a humanidade, cada vez mais e em curtos espaços de tempo. Existe alguma relação com o surgimento de novos vírus e a forma como os seres humanos estão lidando com o ambiente?


O ambiente, e seus respectivos ecossistemas, funcionam de acordo com um equilíbrio dinâmico, no qual o meio biótico, ou seja, as espécies de animais, plantas, fungos, microrganismos interagem entre si e com meio abiótico, representado pela água, gases da atmosfera, sais minerais dos solos. Esse equilíbrio é que garante a vida em nosso planeta e qualquer desequilíbrio pode acarretar inúmeros problemas.


Um deles é o transbordamento, fenômeno específico que trataremos nesse texto. Vários estudos já identificaram inúmeros vírus presentes em roedores, insetos, morcegos, e outros animais silvestres. Esses vírus não causam nenhum mal a esses animais, estão presentes em seus organismos de forma equilibrada, numa relação mútua de sobrevivência. Em linhas gerais, o transbordamento é o fenômeno no qual esses vírus passam de seu reservatório animal natural (animais silvestres) para um primeiro ser humano, evoluindo para uma variante com capacidade de ser transmitido a outros seres humanos. E isso pode acontecer devido à forma como nós seres humanos estamos interagindo com o ambiente.


Ao destruirmos florestas, por exemplo, que estão em equilíbrio há milhares de anos, os animais silvestres perdem o seu espaço natural, onde sempre viveram, onde encontram abrigo, alimento e podem se reproduzir. Esses animais, sem o seu espaço natural, passam a buscar condições de sobrevivência cada vez mais próximas dos seres humanos e, via de regra, podem nos contaminar com vírus presentes em seu organismo.


No caso do coronavírus, é consenso entre a comunidade científica que o vírus foi transmitido inicialmente por morcegos a um primeiro ser humano. A partir daí o vírus sofreu alterações e essas alterações permitiram que fosse possível a infecção para outros seres humanos.


O que podemos fazer para reverter esse descaso com o ambiente, como temos observado nos últimos tempos e que pode acarretar novas pandemias?


Inicialmente, acredito que devemos nos informar, a partir de fontes confiáveis e que podem nos fornecer conhecimento para sermos multiplicadores de ideias. David Quammen é um dos mais respeitados divulgadores da Ciência e seu foco é justamente divulgar aspectos relacionados ao transbordamento de vírus, inicialmente em equilíbrio em animais silvestres, para nós seres humanos. Em seu livro Contágio, lançado em 2012, ele já previa a ocorrência de sérias pandemias relacionadas a esse fenômeno. Ele foi o entrevistado do Programa Roda Viva, no último dia 04/01. Para aqueles que se interessarem, segue o link da entrevista no youtube. https://www.youtube.com/watch?app=desktop&v=xE5V-p6IMY0


Além de nos informar, podemos começar a pensar em novas formas de interagirmos com o ambiente, não é mesmo? Muitos estudiosos já têm se dedicado a refletir sobre nossa relação com o ambiente de forma mais holística e podemos fazer parte dessa massa de pessoas que querem um mundo melhor, com mais respeito entre os seres humanos e o ambiente e entre os próprios seres humanos. Acompanhe nossas postagens dominicais no Instagram @instituto_selem para refletirmos juntos sobre isso.


Até lá!


Maria Luiza Ledesma Rodrigues

Bióloga e membro da equipe Selem



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